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16 junho 2023

Bud Light


A Bud Light perdeu seu lugar no topo do mercado americano de cervejas em meio à polêmica em torno de uma parceria promocional com a atriz e influenciadora trans do TikTok Dylan Mulvaney. As vendas relatadas pela empresa controladora AB InBev caíram 23% em relação ao ano anterior, à medida que os boicotes continuam em resposta ao anúncio de Mulvaney do início de abril.

Lançada originalmente em 1982 como uma alternativa de baixa caloria à Budweiser, a Bud Light cresceu e se tornou a marca de cerveja mais conhecida dos Estados Unidos, ao lado da Corona, ao mesmo tempo em que construiu uma forte presença internacional e se tornou um produto essencial para a gigante da cerveja AB InBev. Os líderes da empresa esperavam que o furor de Mulvaney já tivesse se dissipado, mas a popularidade da Bud Light continua caindo.

A Modelo Especial, a popular pilsner mexicana fabricada pela mesma empresa por trás da Corona e da Pacifico, tomou o título da Bud Light como a marca de cerveja número um dos Estados Unidos em termos de vendas em lojas de varejo. Os executivos da AB InBev estão ansiosos para retomar o primeiro lugar, mas com mais de 500 marcas em todo o mundo - vendendo mais de 59 milhões de litros de cerveja no ano passado - a empresa tem outras opções para recorrer.

De fato, nos EUA, as marcas Corona e Modelo são de propriedade exclusiva da Constellation Brands, mas globalmente elas pertencem a... você adivinhou: AB InBev.

Fonte:  Chartr

Talvez daqui a alguns anos teremos o estudo de caso da Bud Light. A decisão da empresa de tentar ser mais "liberal" ou "moderna" parece que não deu muito certo. A cerveja perdeu 3% de participação no mercado. É muito, para um mercado tão concorrido. 


26 maio 2008

Inbev e Bud


A proposta de compra da Bud, a maior cerveja dos Estados Unidos, pela empresa Inbev foi notícia de destaque no final de semana. O gráfico mostra o comportamento das ações da Bud (fonte: aqui). Alguns links interessantes:

1) Aqui, a notícia no NY Times

2) No Blog do Wall Street Journal

3. A visão do blog Portfolio: os brasileiros estão chegando

4. Trocadilho: Inbev + bud = In Bed?

18 julho 2023

O Impacto de um Boicote na Bud Light

Ainda sobre o boicote à cerveja Bud Ligth, liderado por conservadores nos Estados Unidos, a história mostra como um movimento entre consumidores atingiu uma grande marca de consumo. Tudo começou quando a Bud Light enviou uma lata personalizada para uma atriz transgênero. 


Inicialmente, acreditava-se que o boicote não teria um grande impacto, mas as vendas da Bud Light caíram e o produto perdeu a liderança no mercado de cerveja. Uma das razões do sucesso do boicote é que existiam produtos substitutos facilmente disponíveis no mercado; além disto, não podemos deixar de olhar a influência do comportamento de grupo. A participação de organizações e instituições conservadoras, juntamente com a repercussão nas redes sociais, contribuiu para o impacto do boicote. 

O declínio nas vendas do produto terá consequências não somente na receita da empresa, mas também nos resultados. O efeito no resultado irá depender da estrutura de custos - maior ou menor presença de custos fixos, assim como das medidas que a empresa usou para tentar reduzir o impacto do boicote, como a promoção de venda. 

É um lembrete de que eventos e ações externas podem influenciar a performance financeira de uma organização, destacando a importância de monitorar e avaliar os fatores externos relevantes para o planejamento e tomada de decisões contábeis.

24 julho 2007

Inbev + Bud?

O comentário sobre um acordo potencial entre a Anheuser-Busch e a Inbev (marca Brahma e Antartica) mostra que probabilidade é de 70% (Fonte: WSJ). O acordo selaria a união de uma cerveja com domínio no mercado norte-americano com a maior cervejaria do mundo. Além disto, são estimadas economias de 10 bilhões de dólares no acordo. Atualmente a capitalização do mercado é de 50 bilhões para Inbev e 38 bilhões para Bud.

15 julho 2008

Bud

Heid Moore do Wall Street Journal (em InBev and Anheuser-Busch: The Love Boat of Corporate Marriages, 14/07/2008) apresenta, de forma interessante, o resultado final do acordo entre Inbev e A-B. Carlos Brito (da InBev) e August Busch IV pareciam BFFs (best friends forever).

Tentando aparentar um acordo amigável, Busch IV afirmou que Carlos Brito é um líder forte, com planos ambiciosos para construir novos negócios.

Para Moore, o grande ganho foi a concessão de dois assentos no conselho da Inbev. Segundo um estudo realizado com negócios acima de 5 bilhões de dólares desde 2003, somente 23% resultaram em ao menos um assento.

Mas este link aqui afirma que esse é um detalhe menor pois existem 14 assentos no Board, sendo quatro da família que fundou a Interbrew, quatro da Ambev e quatro de diretores independentes. Ou seja, muitos brasileiros e belgas.

Stephen Grocer (também do WSJ em Afternoon Reading: Bud Goes Quietly Into That Good Night, 14/07/2008) comenta que uma possível jogada da SABMiller será um acordo com uma cervejaria mexicana.

O mesmo Wall Street Journal (em InBev-Anheuser: ‘There Is Pride Today, Because Beer Is Belgian’ , 14/07/2008) analisa o acordo do lado dos belgas. Eles estão chocados com as reações nacionalistas (incluindo de Obama, candidato a presidência dos Estados Unidos) para um assunto que o ministro da economia belga, Vincent Van Quickenborne, denomina de “negócios, reestruturação, corte de custos e posicionamento num mercado global”. Mas nem todos os belgas estão comemorando: os sindicatos dos empregados, que sofreram com tentativas de corte de custos, estão apreensivos com as conseqüências.

Já Christian Lejeune, diretor do Museu Belga de Cerveja no sul da Bélgica afirma que “eles não fazem a verdadeira cerveja belga”.

Já Dennis k. Berman (em Budweiser-InBev: Patriotism Has Its Price–$70 a Share, 11/07/2008) foi irônico. O patriotismo tem seu preço: $70 a ação.

Jonathan Berr (em InBev raises bid, makes Anheuser-Busch an offer it can't refuse, 11/07/2008) considera que o acordo tem um grande perdedor: a mídia. A Budweiser é uma empresa que possui uma participação muito significativa no mercado publicitário, em especial nos jogos de baseball e Super Bowl.

Mas segundo esse endereço o valor da A-B era de 67 dolares. Ou seja, o preço de aquisição não foi barato.

14 junho 2008

Inbev e Bud 3

Anheuser tem poucas opções para defender-se da oferta da InBev
David Kesmodel, Matthew Karnitschnig e Dana Cimilluca, The Wall Street Journal
The Wall Street Journal Americas - 13/06/2008

A Anheuser-Busch Cos. parece despreparada para enfrentar uma oferta indesejada, a de US$ 46,35 bilhões feita pela InBev NV, o que aumenta as chances de mais uma conhecida empresa americana ser digerida por uma empresa estrangeira.

Mas enquanto a cervejaria americana, que tem sede em St. Louis, recolhia-se ontem para estudar a oferta da InBev, da US$ 65 por ação, surgiu a informação de que ela iniciou negociações preliminares com a mexicana Grupo Modelo SA para uma união que pudesse ajudá-la a rechaçar a oferta, segundo pessoas a par do assunto.

A Anheuser já tem 50% da Modelo e se comprasse o resto provavelmente se tornaria uma empresa cara demais para a InBev.

(...) As opções da Anheuser para fugir à oferta da InBev são limitadas, dizem analistas. A melhor defesa da cervejaria pode ser fazer um acordo com a mexicana Grupo Modelo SA. A Anheuser já tem 50% da Modelo e se comprar o resto provavelmente se tornaria uma empresa cara demais para a InBev comprar.

(...) Não está claro que tipo de transação a Anheuser e a Modelo teriam discutido, e há enormes obstáculos a qualquer união. A Modelo teria de estar disposta a perder sua valorizada independência para permitir que a Anheuser mantivesse a dela. Ambas as empresas também teriam de deixar de lado anos de hostilidade e ressentimentos que surgiram ao longo de sua parceria, que remonta ao início dos anos 90.

(...) A InBev afirma que quer negociar amigavelmente com a Anheuser. Mas, se refutar essa abordagem, a Anheuser não parece bem posicionada para enfrentar uma oferta hostil. Para começar, os conselheiros dela são eleitos a cada ano, o que facilita para um comprador hostil removê-los. A Anheuser também não dispõe da chamada “pílula de veneno”, que muitas empresas usam para manter compradores indesejados ao largo.

A companhia poderia tentar usar sua influência política para organizar uma oposição, sob o argumento de que estrangeiros não deveriam poder adquirir a maior cervejaria americana. Embora haja poucos obstáculos legais para evitar que a Anheuser seja adquirida por estrangeiros, pessoas envolvidas no negócio dizem que pressão política poderia complicar a questão para alguns acionistas da Anheuser. Warren Buffett, segundo maior investidor da Anheuser, com 4,99%, é conhecido por não gostar de situações hostis.

Os alvos de ofertas hostis costumam buscar os tais cavaleiros brancos, ou um comprador amigável. Mas no caso da Anheuser a chegada de um parece improvável. Isso se deve em parte ao fato de as maiores cervejarias do mundo já terem se fundido recentemente. A Heineken NV, uma possível sócia para a Anheuser, acabou de fechar um acordo com a Carlsberg AS para comprar e dividir os ativos da gigante britânica Scottish & Newcastle PLC. A combinação da Anheuser com a Heineken também poderia ter questões antitruste nos EUA porque a Heineken tem uma presença significativa no mercado americano. A Heineken também poderia se opor a ter mais exposição a um mercado cervejeiro que cresce tão pouco quanto o dos EUA, dizem analistas.

Outro possível sócio numa aquisição, a gigante londrina de destilados Diageo PLC, é pouco provável que se interesse pela Anheuser, dizem analistas. A Diageo, apesar de vender a Guinness e outras cervejas, concentra-se principalmente no setor de destilados e está interessada em expandir-se em mercados emergentes.

Enquanto isso, a SABMiller PLC, de Londres, que é a maior cervejaria do mundo em volume, está no meio de uma fusão de sua unidade americana Miller Brewing com a da Molson Coors Brewing Co. Prevê-se que esse negócio seja concluído no fim deste mês.

“Não acho que haja nenhuma cervejaria por aí que seja um cavaleiro branco”, disse Carrie Schloss, um analista de ações da Talon Asset Management em Chicago, que detém ações da Anheuser.

Analistas disseram esperar que a Anheuser vá considerar a oferta da InBev baixa demais e recusá-la, o que poderia levar a InBev a tentar uma aquisição hostil. Analistas dizem que o preço pela Anheuser poderia subir até US$ 70 por ação, mas que um preço assim tão alto exigiria enormes cortes de custos na Anheuser que seriam difíceis de realizar sem prejudicar as marcas da cervejaria e sua fatia de mercado nos EUA.

10 maio 2023

Pedir transparência pode melhorar as práticas de RSC

O artigo "Calling For Transparency: Evidence From A Field Experiment" é um estudo que examina a eficácia de pedidos por transparência nas práticas empresariais. O objetivo principal do artigo é testar se pedidos explícitos por transparência das práticas de responsabilidade social corporativa (RSC) podem levar as empresas a melhorar suas práticas nessa área.

Para realizar o estudo, os autores conduziram um experimento de campo com 167 empresas. Essas empresas foram divididas em três grupos: o grupo de tratamento, o grupo de controle 1 e o grupo de controle 2. O grupo de tratamento recebeu um pedido por transparência das suas práticas de RSC, enquanto os grupos de controle não receberam nenhum pedido. O pedido por transparência foi enviado por e-mail e incluiu informações sobre a importância da transparência nas práticas de RSC e as melhores práticas para divulgar informações nessa área.


Os resultados do experimento mostram que os pedidos por transparência tiveram um efeito positivo significativo na divulgação de informações sobre RSC das empresas participantes do experimento. As empresas do grupo de tratamento divulgaram, em média, mais informações sobre suas práticas de RSC do que as empresas dos grupos de controle. Além disso, os resultados mostram que o efeito dos pedidos por transparência foi mais forte quando a solicitação veio de uma fonte confiável. Isso sugere que a fonte do pedido por transparência é importante para o sucesso desse tipo de iniciativa.

Os autores também realizaram análises adicionais para examinar se os pedidos por transparência afetaram outros aspectos das práticas de RSC das empresas, como o desempenho ambiental e social. No entanto, os resultados dessas análises não foram conclusivos. Isso indica que os pedidos por transparência podem afetar principalmente a divulgação de informações sobre as práticas de RSC das empresas, mas podem ter um impacto limitado em outros aspectos das práticas de RSC.

Esses resultados são importantes porque a transparência é um aspecto crítico das práticas de RSC e pode ajudar as empresas a aumentar a confiança dos stakeholders e melhorar sua reputação. Além disso, o estudo destaca a importância da fonte do pedido por transparência. Isso sugere que as iniciativas de transparência podem ser mais eficazes quando lideradas por fontes confiáveis e respeitadas.

Foto: Bud Helisson

03 julho 2008

Inbev e Anheuser-Busch


Diante do interesse natural na questão da aquisição da Anheuser-Bush pela Inbev, faço uma listagem de alguns textos encontrados na internet sobre o assunto:

1) Em Who Can Cut More Jobs: InBev or Anheuser-Busch?, Heidi N. Moore faz uma análise sob a ótica do número de empregos que serão cortados nas duas situações (com a compra ou sem a compra). A Anheuser-Busch (AB) anunciou, como contra-ataque a proposta, que irá implementar um programa de corte de custos que implicará, entre outras coisas, na redução de empregos. Entretanto, uma das objeções a aquisição é a possibilidade de existir redução no número de empregados. Os trabalhadores parecem favoráveis a AB independente. Para a administração atual da empresa AB é necessário convencer os acionistas que o corte de custos de 1 bilhão é melhor que uma ação a 65 dólares em dinheiro.

2) No Deal Journal, do Wall Street Journal (Could InBev-Anheuser Brew-Haha Yield a Mexican Beer Giant?) discute a possibilidade da criação de uma empresa Mexicana gigante com a junção da Modelo e Femsa. Talvez as autoridades mexicanas não fiquem satisfeitas em perder as empresas para os estrangeiros e incentive o acordo.

3) Em Anheuser-InBev: August Busch’s Conference Call Blunder, Dennis K. Berman comenta a reação de August Busch IV a um questionamento de um acionista.

4) Segundo Duane D. Stanford e Loveday Morris, a InBev NV necessita de adicionais 7 bilhões para persuader o board a AB, além dos 46,3 bilhões já oferecidos.

5) Para David Silver (Anheuser to In Bev: "This Bud's Not For You") apesar de Warren Buffet ter somente uma pequena parcela de ações da AB, o fato de ser Buffet e ser o segundo maior acionista deve ter uma papel importante no negócio. A direção tomada por Buffet deve ser seguida por muitos outros acionistas.

28 maio 2008

Como o sentimento influencia nos negócios

A reportagem a seguir é uma prova de como o lado pessoal influencia nos negócios. Destaquei, em negrito, alguns pontos:

Possível oferta da InBev intensifica drama familiar na Anheuser-Busch
David Kesmodel, The Wall Street Journal, de St. Louis, EUA
27/5/2008 - The Wall Street Journal Americas

Durante anos, August A. Busch IV cobiçou a chefia da Anheuser-Busch Cos. e a chance de finalmente provar-se a seu pai implacável.

Agora, apenas 18 meses depois de ele assumir a presidência executiva, uma possível aquisição está complicando seus planos.

A gigante belga InBev NV, dona da AmBev, planeja fazer uma oferta não negociada pela Anheuser, segundo pessoas a par da questão. Analistas do setor dizem que uma oferta provavelmente superaria os US$ 45 bilhões, o que a tornaria a maior aquisição da história das cervejarias. Mas a oferta ainda não é certa. Tanto Busch IV quanto seu pai se opõem a uma aquisição, dizem pessoas familiarizadas com a empresa. A Anheuser pode tentar evitar a aquisição comprando a metade da mexicana Grupo Modelo que ainda não tem. A InBev, a Anheuser e a Grupo Modelo não comentaram o assunto.

Um integrante da família, Adolphus Busch IV, disse ontem que ele e outros familiares estão abertos à idéia de a Anheuser e a InBev discutirem um possível acordo. Busch, de 54 anos, é meio-irmão de August A. Busch III, pai do atual diretor- presidente. Adolphus Busch diz que tem um bloco “substancial” de ações, que no entanto é menor que 1%. No total, a família Busch tem menos de 4% do capital social, de modo que não pode bloquear um negócio.

“Há membros (da família) que absolutamente querem preservar o status quo”, disse ele ao Wall Street Journal. “Mas há outros que dizem que querem algum tipo de mudança para melhorar o retorno dos acionistas.”

Uma oferta da InBev pode deixar Busch, de 43 anos, numa posição difícil. Se a Anheuser for vendida à InBev, ele pode vir a ser lembrado como o integrante da família fundadora que deixou um ícone americano passar para mãos estrangeiras.

Mas os rumores de aquisição têm outro viés ainda mais pessoal para Busch: o tênue relacionamento com seu pai, August A. Busch III, de 70 anos, atualmente membro do conselho da Anheuser e lendário ex-diretor-presidente da empresa.

Busch IV gostaria de ter mais tempo para provar que pode ressuscitar a estagnada cervejaria. Apesar de a Anheuser ser a maior cervejaria dos Estados Unidos, Busch III ignorou vários possíveis acordos internacionais, permitindo que a InBev a ultrapassasse em nível mundial.

Numa entrevista ao Wall Street Journal no início do mês, August Busch IV disse que ainda busca a aprovação do pai. “Quando eu for finalmente bem-sucedido, terei o seu amor e admiração”, diz ele.

Até agora, os dois são totalmente contra a venda da cervejaria de 150 anos e querem que a Anheuser controle o próprio destino nesse setor, de rápida consolidação. A cervejaria não será vendida “enquanto eu estiver aqui”, disse o diretor-presidente a distribuidores no mês passado.

Mas não está claro como as posições podem mudar no desenrolar da saga. E, apesar de pai e filho estarem de acordo em relação à InBev, eles discordam em outras questões como, por exemplo, como criar uma estratégia de sucesso em meio às fracas vendas de marcas importantes como Budweiser e Michelob, dizem pessoas ligadas à Anheuser.

Busch IV reconhece a existência de conflitos. Sua transição para diretor- presidente, diz, foi uma “situação conturbada, muito difícil”. Seu pai, Busch III, não quis dar entrevista.

Nascido em 1964, Busch IV é o quinto integrante da dinastia a chefiar a Anheuser. A empresa é a terceira maior cervejaria do mundo em volume, depois da britânica SABMiller PLC e da InBev. Ela tem vendas anuais de US$ 17 bilhões e valor de mercado de US$ 40,4 bilhões.

A união entre os clãs Anheuser e Busch data de 1861, quando o imigrante alemão Adolphus Busch, tataravô do atual diretor-presidente, casou-se com a filha do cervejeiro Eberhard Anheuser, de St. Louis. Adolphus traçou então uma estratégia para transformar o que era uma cervejaria regional num gigante nacional. Em 1957, a Anheuser se tornou a líder inconteste do ramo nos EUA, posição que mantém até hoje.

Busch IV teve uma trajetória um tanto conturbada até chegar à liderança da empresa. Seus pais se divorciaram quando ele tinha 5 anos, e ele foi morar com a mãe. Continuou a ver o pai freqüentemente, mas na maioria das vezes na cervejaria. Ele é o filho mais velho. Seu pai depois se casou de novo e teve mais dois filhos.

Eu nunca, nunca mesmo tive um relacionamento normal com o meu pai”, conta Steven. É “puramente negócios”.

O relacionamento de Busch III com seu próprio pai também foi complicado. Em 1975, Busch III abordou os conselheiros e os persuadiu a indicá-lo para a presidência executiva e demitir o pai, August A. “Gussie” Busch Jr., na época com 76 anos e avesso a assumir riscos. Busch IV diz que os dois não se falaram durante praticamente uma década.

Quando estava na Universidade do Arizona, nos anos 80, Busch IV também colocou à prova o relacionamento com seu pai. Um estudante festeiro, ele destruiu seu carro esportivo num acidente noturno em que sua passageira morreu. Ele fugiu do local. A polícia acabou decidindo não indiciá-lo, mas o incidente rendeu várias manchetes e prejudicou a imagem da família. Busch IV negou-se a comentar o incidente.

Em 1985, ele foi a julgamento depois de fugir da polícia em seu Mercedes e ser acusado de tentar atropelar dois policiais. Um júri de St. Louis acabou inocentando-o da acusação. Ele também preferiu não comentar sobre isso.

Lidar com esses incidentes o tornou “uma pessoa mais forte”, diz sua irmã, Susie Busch-Transou, sócia de uma distribuidora da Anheuser-Busch na Flórida.

Mas a reputação de Busch como playboy motivou questionamentos sobre se ele é a pessoa mais indicada para a presidência executiva. Ele começou de baixo, trabalhando como aprendiz de cervejeiro. Casou-se em 2006 e passou a maior parte da carreira em marketing. Esteve envolvido em alguns fracassos, como a Bud Dry, mas ficou conhecido também como um marqueteiro sagaz, ao defender campanhas publicitárias humorísticas.

Mas até mesmo enquanto amadurecia e era promovido na empresa ele tinha dificuldade de impressionar o pai. Quando Busch III mandava bilhetes com elogios, ele os guardava na pasta. “Há muito poucos desses”, diz.

Busch IV se tornou diretor-presidente em 2006, substituindo Patrick T. Stokes, a primeira pessoa de fora da família a chefiar a cervejaria. Stokes então se tornou presidente do conselho, substituindo Busch III.

Busch IV assumiu o comando durante a que talvez tenha sido a fase mais difícil da empresa desde os anos 70, quando seu pai enfrentou forte concorrência da Miller Brewing.

A participação da Anheuser no mercado americano subiu de 38% para 52% nos quase 30 anos de Busch III como diretor-presidente, segundo a firma de pesquisa de mercado Impact Databank. Busch III deixou o cargo em 2002 e, com Stokes em seu lugar e o filho a comandar as operações americanas, as vendas começaram a estagnar e a participação de mercado caiu para cerca de 50%.

Um motivo pelo qual o trabalho de Busch IV ficou mais difícil é que seu pai deixou passar várias oportunidades de aquisição no exterior, dizem investidores e analistas. Além do México e da China, a Anheuser praticamente não tem presença nos mercados de cerveja com crescimento mais rápido, como Leste Europeu, África e América Latina.

Enquanto a Anheuser hesitava em sua expansão mundial, a InBev e a SABMiller partiram para o ataque com várias aquisições e a ultrapassaram em tamanho.

(Colaboraram Matthew Karnitschnig e Betsy McKay)

27 junho 2008

Inbev e Bud 4

Segundo o WS Journal (InBev & Anheuser-Busch: Set Your Weapons to ‘Coup’, Heidi N. Moore) , a Inbev contratacou fazendo um questionamento a Delaware Chancery Court sobre os diretores que foram eleitos em 2006. Apesar de ser uma consulta, é um claro sinal de que a Inbev está pronta para guerra.

13 novembro 2008

Inbev e Bud


Acionistas da AB aprovam compra pela InBev
Valor Econômico - 13/11/2008

Os acionistas da cervejaria americana Anheuser-Busch, que controlam, pouco mais de dois terços da companhia, aprovaram ontem a proposta de compra feita pela InBev em julho. Em uma reunião feita em Nova Jersey, nos arredores de Nova York, o negócio de US$ 52 bilhões recebeu 497 milhões de votos favoráveis, o que representa 68,76% das ações em circulação. Cerca de 96% dos acionistas minoritários participaram da assembléia, o que a Anheuser-Busch considerou uma ótimo comparecimento para endossar a transação. (...)

Agora, para que o negócio seja realmente fechado, resta a aprovação das autoridades americanas, européias e chinesas (já que a 27% das ações da China Brewer Tsingtao pertencem à AB). "Não sabemos quanto tempo esse processo irá levar", escreveu Dave Peacock, vice-presidente de marketing da AB e futuro presidente da empresa após a fusão, em um e mail para os funcionários da cervejaria americana. "Há quem aposte em uma finalização para breve. Não podemos confirmar uma data específica, mas nosso cronograma de resolver tudo até o final do ano continua valendo." Isso é o que esperam os bancos que financiam a InBev. A companhia belgo-brasileira tem o compromisso de nove bancos para um empréstimo de US$ 45 bilhões para viabilizar a aquisição. O empréstimo entretanto, ainda não foi sacado. Como esse dinheiro está "reservado" para a InBev, as instituições aguardam ansiosas que a cervejaria saque logo o montante, para começar a cobrar juros e dividendos. (...)


Conforme postagem anterior, a aquisição foi extremamente vantajosa para os acionistas da AB.

Foto: Flickr

05 dezembro 2010

Let It Be

Vídeo da televisão da Noruega: Let it Be, dos Beatles, com ex-celebridades (Roger Moore, Steve Guttenberg, Tonya Harding, Glenn Close, Pamela Anderson, Leslie Nielson, Micky Rourke, Sheryl Lee, Columbo, Kelly McGills, Sherilyn Fenn, Bud Spencer, Kathleen Turner, Fab "Milli Vanili" Morvan, Daryl Hannh, Lou "Hulk" Ferrigno entre outros.

13 junho 2008

Inbev e Bud 2


O gráfico compara as cotações da Inbev e da Anheuser-Busch. Observe que o mercado já sabia que algo estava acontecendo (vide aqui)

Isso significa dizer que o prêmio de 14% sobre as cotações recentes representava um prêmio de 35% da média antes da especulação, segundo o WS Journal. O mesmo jornal lembra que na constituição da Inbev, a operação foi considerada uma aquisição dos belgas sobre a Ambev e que na prática, hoje, é vista como uma aquisição contrária (aqui)

18 julho 2008

Herança da A-B

Conforme lembra o WSJ (16 de julho de 2008, Patent Dispute Could Put Czech Brewer in A-B InBev’s M&A Crosshairs) uma herança da aquisição da Anheuser Busch são mais de 100 disputas legais com a marca Budweiser em mais de 30 juridições ao longo da terra. O custo para resolver alguns desses conflitos pode não ser pouco. A estimativa ultrapassa a casa dos bilhões de dólares.
Uma cervejaria techa tem a marca Bud e Budweiser registrada em vários países. Estima-se que o custo desse problema talvez seja de 2 bilhões de dólares.

28 fevereiro 2013

Bud: Cerveja com água

Uma reportagem publicada pelo Portal G1 nesta quarta-feira (27) afirmou que consumidores americanos estão acusando a multinacional Anheuser-Busch Inbev (AB Inbev), de controle belgo-brasileiro, de diluir com água dez de suas marcas de cerveja, entre elas a Budweiser e a Michelob. A denúncia é baseada em relatos de ex-funcionários.

De acordo com a reportagem, os consumidores acusam a empresa de ter intensificado a prática de adicionar água a bebidas após ser comprada por gigante belgo-brasileiro. O motivo seria a redução de custos. Por causa disso, eles pedem uma indenização de US$ 5 milhões. A justificativa é que o teor alcoólico das cervejas supostamente não é igual ao indicado em seus rótulos.

Fonte: Aqui.

18 setembro 2023

Promessas de CEOs e a Realidade Empresarial

Pouco mudou quatro anos após os CEOs das maiores empresas da América prometerem uma abordagem mais igualitária aos negócios, de acordo com uma análise da Semafor dos arquivos corporativos.


O compromisso chamativo de 2019 da Business Roundtable e seus 181 CEOs signatários redefiniu o "propósito de uma corporação" como algo mais do que apenas a busca cega por lucros.

No entanto, os ganhos corporativos ainda são compartilhados esmagadoramente com acionistas, não com funcionários. Enquanto a compensação executiva não foi especificamente mencionada no compromisso, os salários dos CEOs continuaram a subir, ultrapassando os aumentos concedidos aos trabalhadores por hora, menos por generosidade do que por uma corrida pós-pandemia para contratar trabalhadores.

Em 2018, no ano anterior ao compromisso da BRT, o CEO médio ganhava cerca de 140 vezes o que seu trabalhador médio levava para casa. No ano passado, essa proporção foi de 186 para 1.


Entre as 20 maiores empresas da BRT, o salário dos CEOs subiu de 324 vezes o do trabalhador médio em 2018 para 441 vezes em 2022.

Doze delas gastaram mais do seu fluxo de caixa livre no ano passado comprando ações do que fizeram há cinco anos. Seis, incluindo Exxon, Procter & Gamble e Coca-Cola, gastaram menos em investimentos físicos e tecnologia em 2022 do que em 2018, apesar dos lucros crescentes. Seis agora têm pontuações ESG mais baixas da S&P Global do que quando assinaram a declaração da BRT.

A Business Roundtable se reúne na próxima semana em Washington com uma agenda mais terrena, já que os chefes corporativos se preocupam com as crescentes tensões com a China, pressionam pela reforma do processo de licenciamento de grandes projetos de infraestrutura e fazem lobby pela manutenção de benefícios fiscais expirantes.

A VISÃO DE LIZ

Acredito que os CEOs realmente pretendiam isso em 2019. Sua falta de compromisso diz muito sobre o vento frio que varreu nos últimos dois anos pela comunidade empresarial, que está desesperada para abandonar o altruísmo, parar de ser xingada por Vivek Ramaswamy e voltar aos negócios.

Larry Fink recuou no discurso ESG depois de se tornar alvo dos conservadores. A Salesforce abandonou sua "cultura de bem-estar" por uma de "alto desempenho", e o CEO Marc Benioff parou de divulgar sua política liberal. Em Davos este ano, os executivos estavam em grande parte ausentes das virtudes do palco principal, em vez disso, preenchendo suas agendas com reuniões de clientes em suítes de hotel isoladas.

Marc Pritchard, diretor de marca da Procter & Gamble, disse no ano passado que as empresas foram "um pouco longe demais no lado do bem" em detrimento do crescimento, e os participantes na premiação de publicidade Cannes Lions deste verão foram aconselhados a diminuir a política e focar em "vender produtos".

Uma evolução que parece estar relacionada: quase um terço daqueles que ingressaram em empresas em cargos relacionados à diversidade após a morte de George Floyd em 2020 - o que estimulou uma enxurrada de declarações e novas metas por parte de grandes empresas - já saíram, de acordo com a Live Data Technologies, que acompanha as tendências de emprego.

O enfraquecimento corporativo da década de 2010, quando os CEOs estabeleceram metas de diversidade e compartilharam fotos de cachorros no Instagram, parece ser uma relíquia. Foi acelerado pelo movimento #MeToo e atingiu o auge em 2020, com a pandemia e os protestos generalizados por justiça racial. Uma onda de violência anti-asiática e a invasão da Ucrânia pela Rússia também foram questões moralmente inequívocas sobre as quais tomar posição.

Mas as questões de hoje são mais profundamente divisivas - veja: o boicote à Bud Light - e os CEOs estão mais do que felizes em baixar a cabeça abaixo das trincheiras.

ESPAÇO PARA DESACORDO

O índice ESG S&P 500, que exclui cerca de um terço do índice S&P 500 por uma prática desagradável ou outra, superou o mercado nos últimos quatro anos, então claramente há valor em defender algo.

E nos últimos meses, as empresas reduziram recompras em favor de investimentos físicos, sugerindo uma visão de valor a longo prazo.

17 outubro 2015

Fato da Semana: Aquisição da SABMiller (42 de 2015)

Fato da Semana: A empresa AB Inbev comprou, por mais de cem bilhões de dólares, a empresa SABMiller. Dirigida pelo brasileiro Carlos Brito, a cervejaria de origem belga e brasileira, novamente surpreendeu o mercado de cerveja com uma aquisição. É bom lembrar que a origem da empresa encontra-se na cervejaria Brahma, que posteriormente uniu-se com uma empresa belga. Os gestores majoritários desta empresa são brasileiros, que passaram a aplicar uma política agressiva de redução de custos nas companhias gerenciadas pelo grupo. No passado recente, a empresa comprou a Bud, a cerveja mais conhecida dos Estados Unidos.

Qual a relevância disto? A aquisição mostra que os administradores de empresas brasileiras conseguem crescer a partir dos conhecimentos gerenciais, e não somente com subornos e compadrios. A aplicação de informações contábeis para melhorar a eficiência do processo produtivo é importante para mostrar a relevância da contabilidade gerencial.

Positivo ou negativo? Sob a ótica da contabilidade gerencial é positivo. Mas é importante destacar que a aquisição irá aumentar a concentração do mercado e poderá significar aumento de preços para o consumidor.

Desdobramentos - A aquisição irá trazer ainda muita discussão. A empresa será obrigada a desfazer de operações em alguns países, terá que obter um conjunto de financiamentos e se preparar para uma futura aquisição. Coca-Cola é a próxima?

09 novembro 2008

Inbev e Bud

A Anheuser-Busch foi adquirida pela Inbev pelo preço de $70 a ação. O gráfico a seguir mostra o comportamento da ação da AB nos últimos meses:



Apesar da crise, a ação continua bem cotada no mercado, mas ainda assim abaixo dos $70 que a Inbev irá pagar.

Já a cotação da Inbev no mercado internacional apresenta o seguinte comportamento:



Ou seja, os acionistas da empresa comprada claramente se beneficiaram do negócio.